Marcadores · 100+
em 17 eixos.
Cada marcador da leitura funcional, organizado em 5 grandes áreas e 17 eixos. O que mede, a faixa funcional vs convencional, e os padrões metabólicos que sinaliza no cruzamento com os demais.
Você não faz todos. Seu painel começa com 15 a 20 marcadores essenciais. Aprofunda só onde o cruzamento pedir. Este catálogo é a biblioteca disponível, não o pedido individual.
Cardiovascular
Risco cardiovascular não se avalia por colesterol total. Avalia-se cruzando três coisas: o transporte (LDL, HDL, ApoB, Lp(a), Não-HDL, TG), a inflamação (PCR-us, fibrinogênio) e a homocisteína. Quando os números brigam entre si, o ApoB conta a história mais confiável.
Metabolismo glicêmico
Resistência insulínica é causa raiz comum de muito mais coisa do que parece. Diabetes tipo 2, dislipidemia aterogênica, gordura no fígado (fígado gordo), SOP e queda funcional de testosterona. A leitura mais confiável: HbA1c + HOMA-IR cruzados conta mais que glicose isolada; a glicose pós-carga 1h (IDF 2024) entra quando os dois primeiros divergem.
Hormonal masculino
O eixo hormonal masculino vai do cérebro (hipotálamo, hipófise) até o testículo, modulado por SHBG, aromatase, estresse crônico, gordura visceral, opioides e álcool. Em adultos abaixo dos 60, a maioria dos casos de testosterona baixa é secundária funcional. Reversível sem TRT. O diagnóstico exige duas coletas matinais (entre 7 e 10h) + sintomas compatíveis.
Hormonal feminino
O eixo hormonal feminino oscila pela fase do ciclo. FSH, LH, estradiol e progesterona contam histórias diferentes em D3, D14 ou D21. Sem o dia certo, a coleta confunde mais que esclarece. Em mulheres na transição (perimenopausa, classificação STRAW+10), o fenótipo clínico e o tempo do ciclo contam mais do que qualquer número isolado.
Eixo tireoidiano
O eixo tireoide regula a taxa metabólica do corpo via T4 e T3, com feedback do TSH. Paradigma de otimização vs doença: TSH entre 2,0 e 3,5 é a zona de menor mortalidade total (Xu 2023, meta-análise n=134.346). O cutoff antigo já era inferior à evidência. Só o TSH não basta. A conversão T4→T3 (razão T3L/T4L) e os anticorpos é que contam a história real.
Adrenal e estresse
O eixo adrenal tem ritmo circadiano forte: cortisol no pico das 7–9h, no mínimo entre 23h e 2h. “Fadiga adrenal” não é entidade clínica reconhecida. O que existe é disfunção funcional do eixo HPA. E o manejo trata as causas do estresse crônico, não “suplemento pra adrenal”.
Fígado e biotransformação
A avaliação do fígado cruza integridade (transaminases, GGT) e função (albumina, bilirrubinas, coagulação, fosfatase alcalina). Atualização 2023–2026: a “gordura no fígado” passou a se chamar fígado gordo (era NAFLD); MASH substitui NASH. Quando há suspeita de fibrose, o algoritmo padrão é FIB-4 → elastografia hepática → hepatologia.
Função renal
O rim faz mais do que filtrar. Regula ácido-base, volume, produz eritropoietina (EPO, o hormônio da hemoglobina) e ativa a vitamina D. A diretriz internacional (KDIGO 2024) padronizou a fórmula CKD-EPI 2021 sem ajuste racial, e classifica a função em estágios G1–G5 cruzados com a albuminúria (A1 normal, A2 microalbuminúria, A3 macroalbuminúria).
Sangue vermelho e ferro
A produção de hemácias e o estoque de ferro são lidos juntos. Porque ferritina alta nem sempre significa estoque (pode ser inflamação fingindo ser ferro). A PCR-us recalibra a leitura da ferritina por faixas: quanto mais inflamação, mais alto sobe o limiar pra considerar deficiência. Em mulheres tentando engravidar, o alvo pré-concepcional é ≥70 ng/mL.
Sangue branco e imunidade
O sistema imune conversa o tempo todo com o cardiometabolismo, com o eixo do estresse e com a microbiota. A inflamação crônica de baixo grau. Que aparece como PCR-us entre 1 e 10, NLR aumentado e monócitos altos. É o padrão inflamatório por trás de muitas doenças metabólicas e cardiovasculares.
Vitaminas, minerais e eletrólitos
O status nutricional não se lê no nível sérico isolado. Depende de cofatores, inflamação e contexto. Por isso a hierarquia preditiva começa nos marcadores funcionais: ácido metilmalônico (AMM, B12 funcional), holotranscobalamina (HoloTC, B12 ativa), SELENOP (selênio funcional), magnésio eritrocitário (Mg-RBC). O sérico isolado é o último recurso, não o primeiro.
Metais tóxicos
Metais tóxicos são substâncias não-essenciais que o corpo não precisa e que causam dano em doses cumulativas. A Hair Mineral Analysis e o provoked urine testing (teste de urina após quelante) NÃO são validados pela ciência atual. A maioria das “toxicidades por metais” comerciais é sobrediagnóstico.
Ósseos
O esqueleto não é estrutura morta. É órgão em remodelação contínua. A saúde óssea depende de cálcio, vitamina D, PTH e fósforo, mas também de carga mecânica (musculação), estrogênio/testosterona, cortisol, IGF-1 (eixo de crescimento), nutrição e microbiota. O desfecho que importa não é o número da densitometria. É a fratura por fragilidade evitada.
Intestinais e microbiota
O intestino se lê em quatro dimensões: barreira (integridade), inflamação (calprotectina fecal), composição microbiana (descritiva, sem cutoffs validados) e função digestiva (elastase, gases respiratórios). Três coisas que o mercado vende e que a ciência não sustenta: zonulina sérica está desacreditada; a razão Firmicutes/Bacteroidetes foi rejeitada; e os testes de IgG pra “sensibilidade alimentar” não têm validação clínica.
Sono e ritmo circadiano
Sono é pilar fisiológico transversal. Não é luxo. Durante o sono, o cérebro literalmente se limpa (sistema glinfático eliminando beta-amilóide, a proteína do Alzheimer); o metabolismo se regula; o eixo do estresse, a imunidade e os hormônios se reorganizam. Necessidade individual de 7 a 9h. Sono crônico abaixo de 6h é fator de risco independente para diabetes tipo 2, doença cardiovascular, depressão e mortalidade total.
Estresse oxidativo
Estresse oxidativo é desequilíbrio entre espécies reativas (ROS/RNS) e a capacidade antioxidante do corpo. Mas as ROS são necessárias na fisiologia. O problema é o excesso crônico, não a presença. Estresse oxidativo é mecanismo subjacente, não doença em si. Mega-dose de antioxidantes “pra todos” é rejeitada. A evidência aponta o contrário. O manejo trata as causas e repõe cofatores onde há deficiência documentada.
Autoimunidade
Autoimunidade é quando o sistema imune perde a capacidade de reconhecer o próprio corpo como “eu” e passa a atacá-lo. Afeta cerca de 5 a 8% da população, com predomínio feminino (3 a 9 mulheres para cada homem). Esse eixo é catálogo de anticorpos. Não é triagem rotineira; a investigação é direcionada quando há suspeita clínica. O trabalho nutricional aqui é adjuvante ao manejo médico primário. Não substitui o reumatologista, o endocrinologista ou o gastroenterologista.
Esse marcador não está no catálogo (ainda). Vale uma conversa. Talvez ele entre na leitura mesmo assim. Falar pelo WhatsApp →